terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Palácio de Sentimentos


Pedra por pedra, grão por grão, palavra por palavra. Tua existência é muito mais do que matéria. Em algum lugar entre esses blocos, no obscuro desta construção, bate um coração. E teu corpo ferido implora por mais sentimento.

Esses teus corredores onde as vozes calam e o silêncio grita. Onde por eternidade os sussurros não se apagam. Tua alma guarda planos de vida. Segredos construídos sob teus olhos, arquivo morto que o passado ressuscita. Destinos do qual fazes parte.

Recordas de todos os teus filhos?
Tens noção do que significas?
Singela complexidade do teu ser. Discentes, docentes, revolução indecente.
Castelo colorido, palácio cravejado de sonhos.

Centenas de amores, centenas que já te amaram. Que já sentiram a frieza do teu solo, e como vós, já passaram por todos os possíveis climas, em busca do afago de sábias palavras, de um abraço da educação. Azul e branco do teu céu, azul e branco do teu ser, azul e branco que nos ensina a sempre ser!


Douglas Tedesco – 30 de janeiro de 2004

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A tua Janela Fechada






Quero saber quem fechou a janela do teu quarto. Quem me abduziu a tamanho sofrer. Abominação que aboliu meu contentamento, aquela fase de transição enérgica.

De nada recordo meu, a não ser da escuridão se aproximando, abraçando meus olhos engolindo meu ser, tormenta de maus-dizeres.

Naturalmente procuro alguma fresta. A chuva que chovia jorrava oportunidades, passagens. Maldito ser que entrou sorrateiro em teus aposentos e guardou no dia toda noite.
Devemos, e por que não devemos?

Altere seu nível, descubra quem cerrou-me a vida de luz plena, Transportai vossos olhos ao céu e desabafe, faça de teu pranto a chuva. A chuva que chovia quando fecharam a janela do teu quarto.

Desconfiamos em silêncio. Arvícola urbana, áspide inofensiva. Vou jurar que sim, vou fingir que sim, pois certamente é incerto. Auditivo, auditoria, auditório. Avelaneda, avelório, aveludada. Avanço de nossas pautas, de minha fome faminta, de minhas asas aladas... Azar meu pela janela fechada.

Boatos de minha loucura, e quem liga pra fato de um complexo? Estamos fora sem sentir, acusamos o próximo atos de autoria própria. A maioria das coisas somos nós mesmos quem fizemos, e jamais admitimos, mas eu admito: fui eu quem fechei a janela do teu quarto.